Bert Hellinger 2017-05-15T17:53:41+00:00

Bert Hellinger


“Dear Zaquie Thank you for sharing. Ypou have something important to share.
Wonderful. Sincerely Bert Hellinger”
(*Carta recebida do Bert Hellinger em resposta a uma constelação que Zaquie C Meredith comentou com ele em 2004, abaixo descrita e que está no Livro “A Consciência das Sensações e Constelações”)

quemsou3-300x217A Constelação Familiar é uma abordagem terapêutica, inovadora, criada por Bert Hellinger, onde traz à luz o que está oculto nos relacionamentos familiares e interpessoais. Este método coloca em evidência a conexão profunda que temos com a nossa família, em uma ou mais gerações. Traz à tona os vínculos de amor e lealdade que podem estar emaranhados nos nossos destinos, sejam positivos ou negativos.

O enfoque é fenomenológico, pois Bert Hellinger trabalha com a alma. Em uma sessão pode-se trabalhar os problemas familiares transformando o “amor que adoece” em “amor que cura”. Quando a família provoca doenças é porque atuam destinos dentro dela que influenciam a todos. E, se algo de grave aconteceu numa família, existe ao longo de gerações, uma necessidade de compensação. Mas o sistema familiar tem uma força tão grande que, quando aprendemos a usar esta força para restaurar a ordem, podemos mudar um destino negativo.

Pode-se trabalhar problemas familiares, aspectos da personalidade, sensações de exclusão, angústias, inseguranças, problemas que ocorrem regularmente numa família, decisões, mortes, suicídios, doenças, desaparecimentos, alcoolismo, drogas, ou qualquer problema que o indivíduo sente que o impede de seguir seu próprio rumo.

Hellinger desenvolveu um novo método terapêutico que visa descobrir os efeitos de acontecimentos de várias gerações e de destinos. Chama-se “Constelação Familiar”. Da forma em que colocamos a família, dá-se o conteúdo e revela-se os vínculos secretos, os bloqueios como um ponto de partida para um processo de solução. Somos ligados em nossa família como partes de um sistema, assim como os órgãos do nosso corpo estão ligados.

O cliente escolhe, dentre os participantes, representantes para os membros de sua família que são importantes. Coloca-os uns em relação aos outros. Os representantes então colocam-se à disposição e sentem como as pessoas que representam. Daquilo que vem à luz resulta, então, cada passo para uma solução. Trabalha-se com a s forças que se mostram no sistema, na família, com as forças positivas. Muitas organizações e pessoas focam suas energias para resolverem seus problemas nas consequências, enquanto que, as causas são sequer conhecidas!

“A Constelação Familiar e Organizacional”, uma ferramenta que tem como base o diagnóstico das causas dos problemas, utiliza-se do conhecimento para a solução dos problemas tornando visível o que era, até então, invisível.

As tensões, conflitos e relações “não saudáveis”, dentro de uma empresa, tornam-se visíveis na Constelação Familiar e Organizacional, por se utilizar de estudos científicos grupais e individuais, onde a dinâmica das relações humanas é identificada de forma clara, rápida e decisiva.

Nas empresas, o que define seu sucesso é a sinergia positiva entre as pessoas, pois são elas que compõem uma organização e não o seu CNPJ, equipamentos ou ambiente físico.

Assim sendo, A Constelação Familiar e Organizacional, está orientada na prática do diagnóstico preciso das interrelações pessoais, das dinâmicas e estruturas psicológicas, suas conseqüências , onde a análise é feita de forma a identificar as atitudes e comportamentos influenciados por razões e emoções ainda desconhecidos.

É um método novo. Eficaz, rápido (basta apenas uma sessão) e muito difundido na Europa, tornando-se cada vez mais popular no Brasil. Seu fundador, um alemão chamado Bert Hellinger, foca seus princípios nas leis fundamentais e universalmente válidas dentro das empresas, nas quais exercem uma força de forma consistente, mas que não são perceptíveis nos relacionamentos humanos à olho nu.

Sou uma profissional e ex-aluna do Bert Hellinger e seus discípulos e realizei em diversas partes do Brasil e do Exterior, centenas de trabalhos junto aos mais diversos tipos de organizações e todas elas com sucessos que, conforme depoimento dos participantes, jamais imaginavam a intensidade de modificações positivas obtidas.


Correspondência ao Bert Hellinger

I would like to share with you a few experiences I had on Family Constellations. It is so important that I manifest how your work is so brilliant and helpful to people. I realize that one of the reasons why we like family constellations so much it is because it is an “alive” movie. I know it sounds simple but I only realized this when I was watching a movie. We see ourselves in it. It is a story we see the beginning the middle an the end. But contrary to the movie, it is a real story. With promising solutions!

I realize consciousness is more and more a ONE thing that envolves even our body and mind if we allow it to come. It speaks to us if we let. Sometimes it can come “before” the constellation if we allow to. The other day a university called me to an organizational family with them. I had never done organizations before but I trusted God and Hellinger. Actually I invited you to be with me energetically. And when they were presenting the problem (12 of them) I “looked” at you and I saw you looking at the “university” itself as an entity. Since consciousness is ONE, you could be there as part of the consciousness and based on this something would be revealed. They spoke but nothing came out which was important. But when one of the people spoke and said they were all a family and united, my heart went pang! I immediately felt it was wrong. No, this is a lie. And I said to her I did not feel it right. Right away another older woman raised and said that for a long time she carried this in agony: 2 men founded the university but one was excluded. And the one who was excluded left in anger. Actually everyone who works for them and leaves, leaves in anger. I then did the constellation including this man who dedicated part of his life and was forgotten. It was moving and beautiful. Thank you Bert Hellinger.

I feel the soul consciousness- it can speak to us even before the constellation. And it speaks to us thru “sensations”. A woman came to me and she felt guilty towards her mother death. I worked on her (my regular energy healing) but she still was sad. When she left I sat down and all of a sudden my mouth and face started to trembled. It was non-voluntary. My mouth went distorted and I felt like I wanted to say one thing but nothing came out. I felt despair. I felt alone and I was sorry my daughter was not with me. Daughter? Then I realized it was the old woman who died. I then said Hellingers words for this woman as daughter saying to mother

” I am sorry I was not here with you” and so….so….and mother speaking to daughter. I felt relieved. The next day client called me and said she felt wonderful. For the first time she could travel without thinking of her mother. And told me that her mother had died alone for she could not be there at the time of her death. And, that her mother could not speak – she had a problem in breathing and speaking at the time of her death.

So many things! I am not studying “sensations” which I believe we can be healed thru them. And family constellations have been the starting point.

Tradução das novas Constelações Familiares Espirituais segundo Bert Hellinger

Aquilo que se apresentou como bastante simples, no começo das Constelações Familiares, agora, se estende por si mesmo para uma dimensão que nos desafia de um modo que não podíamos prever no começo.

É a dimensão espiritual, que de repente, se impõe com tal força que empurra para trás e até ultrapassa as primeiras constelações familiares. Isso causa ansiedade para alguns. Eles adorariam continuar como era o começo das constelações familiares, e até neutralizar essa nova dimensão combinando as constelações familiares com outros métodos, e, parcialmente, submetendo as constelações a esses outros métodos. O primeiro choque para muitos numa constelação familiar espiritual é que não havia necessidade de uma constelação comum, e até poderia ser que essa constelação comum, às vezes ficasse no caminho de se alcançar uma solução mais profunda. Estou falando de constelações familiares onde um cliente escolhe os representantes da sua família, entre um grupo de pessoas, e então os posiciona uns em relação aos outros. Depois os representantes são questionados como se sentem em seus lugares.

As respostas deram indicações daquilo que necessita ser mudado na constelação, ou que necessita ser trazido para a constelação. A solução era encontrada quando todos os representantes se sentiam bem em seus lugares. Dessas constelações, grandes insights foram descobertos em relação às ordens do amor nos relacionamentos humanos. Esses insights foram uma descoberta.

Em muitos níveis eles abriram novas possibilidades de soluções e de ajuda que não eram acessados antes. Ainda assim, o insight decisivo, o essencial, o revolucionário não veio das constelações familiares. Mas apontava as constelações familiares para uma direção que continuou se desenvolvendo mais ainda, cujo fim não podemos prever.

Esse insight era um insight espiritual. Foi dado a mim por um caminho espiritual de realização. É o insight dentro da função e modo de operação da nossa consciência. Não apenas a consciência sentida, como boa ou má. Estava acima de todo insight de uma consciência, que hoje ,é em sua maioria subconsciente, e que opera de acordo com leis diferentes daquelas que a nossa consciência conhece.

Somente esse insight é que abriu a porta para que as constelações familiares se aproximasse do campo espiritual, que obviamente, une todos os membros de uma família, de uma maneira em que o destino de um é o destino dos outros. A família aqui é experienciada num senso expandido incluindo aqueles que, através do seu destino, tem efeito na família.

Esse campo espiritual, quando entregue a si próprio, tem resistência a mudar. Então, por exemplo, aquilo que não ficou resolvido em uma geração, será repetido na geração seguinte de maneira similar. Pois aquilo que não é resolvido liga os membros da família e dá uma segurança de pertencimento. E o que é exatamente aquilo que mantém esse campo espiritual junto e produz a repetição daquilo que não é resolvido? É a consciência.

Entretanto, agora, através do novo modo das constelações familiares, uma dimensão diferente desse campo espiritual revela sua influencia. Interrompe a repetição daquilo que não é resolvido e abre caminhos para uma resolução além da consciência. O modo é bastante simples. Em vez de colocar a família no senso comum, somente uma ou duas pessoas são colocadas. Primeiro somente o cliente, ou com ele a pessoa que está em conflito, por exemplo, a pessoa que ele rejeita. De repente, eles são levados por um movimento que eles não conseguem resistir. Esse movimento sempre vai na mesma direção. Traz junto aquilo que foi separado. No final sempre era um movimento do amor.

A grande diferença é que agora não há necessidade de nenhuma orientação externa. A alma sozinha buscou e encontrou uma solução, desde que seja respeitado seu próprio espaço e seu próprio tempo. Encontrou uma solução sempre de uma maneira completamente imprevisível, freqüentemente além das ordens do amor. Entretanto, isso só acontece quando o líder da constelação, ele mesmo, está em harmonia com a dimensão da alma , além de deixar que a alma o guie.

Como? Quando ele mesmo, além das limitações da consciência, permite que o que estava separado encontre um caminho, com amor, dentre dele mesmo.Primeiro eu chamei esses movimentos de “movimentos da alma.” Eu também achei que os movimentos estivessem vindo de um campo espiritual que une os membros da família num mesmo destino.

Mas depois de algum tempo ficou claro para mim que, aqui a dimensão espiritual está a serviço, além do campo de consciência da alma. Esses eram o inicio do movimento do espírito. Onde os movimentos do espírito estão indo, como nós entramos em harmonia com eles, como nós os afetamos, isso nós experimentamos primeiro pessoalmente num caminho de insights, num caminho espiritual de insights, e depois agindo em harmonia com o espírito. Neste tipo de ação nós lideramos sendo liderados pelo espírito. E o qual é o insight espiritual aqui que nos guia?

O movimento do espírito é um movimento criativo que impulsiona o movimento de tudo que se move e como se move e o mantém em movimento. Portanto, todo movimento- como ele é em si – é impulsionado por esse espírito. Esse espírito está atrás de cada movimento, como ele é em si , e se volta para ele mesmo. Quem entrar em harmonia com esse movimento poderá chegar a uma harmonia e permanecer equilibrado nisso e também permanecer em harmonia com tudo o que é. Especialmente se ele permanecer em harmonia com todos os seres humanos, como eles são, também com sua família, também com seu destino, também com sua culpa.

Aqui se torna visível o que significa para nós no final, e para as constelações familiares, quando fluímos com o movimento do espírito, ou mais precisamente, quando esses movimentos nos movem primeiro e quando estamos equilibrados com eles. Podemos voltar ao ponto anterior a esse insight?

Somente a um custo alto. Qual é o preço? Retornarmos à esfera da consciência e a um movimento contra o amor. Eu mesmo me coloquei neste caminho pessoalmente, e no meu trabalho. O que isso significa para as constelações familiares eu tenho demonstrado por algum tempo nos cursos que ofereço, especialmente nos treinamentos. Estou descrevendo esse caminho também nos meus livros, especialmente os mais recentes. Demonstro esse caminho visivelmente nos DVDs. i.e. ( Lernen mit Bert Hellinger,ein Schulungskurs Salzburg), Learning with Bert Hellinger 5 DVDs a teaching course Salzburg and audio (CD Innenreisen: der Weg), 8 CDs Inner journeys: the path. O que permanece Distinção entre os diferentes tipos de consciência

A consciência pessoal Sentimento de estar conectado Leve e pesada A consciência coletiva Sensação de integridade A força impulsionadora Pertencer após a morte Quem pertence? Só o amor soluciona Quem mais pertence à família? O equilíbrio A penitência A vingança A cura A ordem hierárquica A violação da hierarquia e suas conseqüências A abrangência A consciência spiritual

Os diferentes tipos de consciência e as constelações familiares A consciência spiritual a. A distinção entre os tipos de consciência b. A constelação familiar espiritual A consciência pessoal A consciência coletiva Conclusão.

Permanecer (o que permanece)

O sentimento de pertencer Vivenciamos essa consciência estreita como a sensação de ter a consciência leve ou pesada. Com a consciência leve, sentimo-nos bem, com a consciência pesada, sentimo-nos mal. O que acontece quando temos a consciência leve e quando temos a consciência pesada? O que se passa antes da sensação de consciência leve ou pesada para que as sintamos leve ou pesada? Quando observamos melhor as ocasiões em que temos a consciência leve e quando a temos pesada, podemos perceber: temos a consciência pesada quando pensamos, sentimos e fazemos algo que não está de acordo com as expectativas e demandas das pessoas e dos grupos aos quais queremos pertencer e freqüentemente temos que pertencer. Isso significa que nossa consciência está alerta para certificar-se de que nos manteremos estreitamente ligados a essas pessoas e grupos. Ela percebe instantaneamente quando nosso pensamento, desejo, conhecimento e ações podem colocar me risco nossa conexão e pertencimento a essas pessoas e grupos. Quando nossa consciência nota que nos afastamos dessas pessoas e grupos devido aos nossos pensamentos, sentimentos e ações, ela reage com uma sensação de medo de perder a ligação com essas pessoas e grupos. Sentimos esse medo como consciência pesada. Inversamente, quando pensamos, desejamos e agimos conforme as expectativas e exigências dessas pessoas e grupos, sentimos que pertencemos e temos certeza de pertencer. A sensação de pertencer com segurança faz-nos sentir leves e relaxados.

Não temos que nos preocupar com a possibilidade de nos encontrarmos subitamente separados dessas pessoas e grupos e, portanto, sós e desprotegidos. Vivenciamos a sensação de segurança, de ser incluídos e pertencer como consciência leve. Assim, a consciência pessoal nos une às pessoas e grupos que são importantes para nós ou nosso bem estar ou nossas vidas. Mas, uma vez que essa consciência só nos liga a certas pessoas e grupos e ao mesmo tempo exclui outros, ela é uma consciência estreita. Essa consciência tinha uma importância crucial para nós quando éramos crianças. As crianças fazem de tudo para ter permissão de pertencer, pois, sem essa ligação e inclusão estariam perdidas.

A consciência pessoal garante nossa sobrevivência nos grupos que são importantes para nossa sobrevivência e com relação às pessoas importantes para nossa sobrevivência. Assim, sua extrema importância deve ser reconhecida. Podemos ver isso na grande importância que a consciência pessoal tem na nossa sociedade e na nossa cultura.

A Consciência Pessoal

Tudo que permanece o faz por algum tempo. Com freqüência, ficamos felizes se permanece porque isso faz com que nos sintamos confortáveis e nos dá algo. Assim, ficamos felizes quando pessoas que amamos permanecem e ficamos felizes com algo bem sucedido que permanece. Mas ninguém e nada permanece por iniciativa própria. Nós próprios temos que fazer algo para que isso permaneça. Isso permanece se fazemos algo com ele. Estranhamente, permanece por mais tempo se acrescentarmos algo a ele. Permanece somente se algo é constantemente acrescentado. Portanto, o que permanece também está em movimento.

Isso permanece enquanto também nos tornarmos maiores com ele. Uma árvore permanece enquanto crescer. O amor permanece enquanto crescer, enquanto continuar a sempre dar mais e a tomar mais. E o que se vai? Ele vai porque terminou, porque não cresce mais e não se torna maior. Vai porque precisa abrir espaço para o novo que continua. O mesmo acontece com o que ainda permanece, ele também está tornando-se mais. O que permanece termina tão logo deixe de se tornar mais. E como é isso com o Espírito? Como é com o movimento do espírito? Ele permanecerá para sempre, uma vez que ele não acaba. O movimento do espírito também deixa algo para trás porque ele nunca termina? Ou ele leva o que havia antes para o movimento seguinte de forma que continue e permaneça sob nova forma? Portanto, também o que permanece se vai após algum tempo para que possa permanecer de outra maneira. Continuando, permanece.

A distinção entre as consciências As consciências são campos espirituais.

A primeira delas, a consciência pessoal, tem um alcance estreito e limitado. Ao diferenciar entre bom e mau, ela reconhece como pertencentes apenas alguns e exclui outros. A segunda, a consciência coletiva, é mais ampla. Representa também os interesses dos excluídos pela consciência pessoal. Assim, ela com freqüência entra em conflito com a consciência pessoal.

Mas essa consciência também tem suas limitações porque só leva em consideração os membros dos grupos subordinados a ela. A terceira, a consciência espiritual, vai além das limitações das outras consciências que estabelecem a diferença entre bom e mau e de pertencer e ser excluído.

Bom e Mau

Com referência a isso, podemos observar que nossos conceitos de bom e mau são distinções feitas por essa consciência. Eles definem até que ponto algo garante nossa inclusão ou a coloca em risco.

O que garante nossa inclusão, vivenciamos como bom. Nós o vivenciamos como bom por meio de nossa consciência leve. Assim, não precisamos nos preocupar realmente com isso, se – ao observamos à distância – isso é realmente bom ou, para outras pessoas, ruim. Nesse contexto, o que chamamos “bom” é apenas sentido, simplesmente sentido como consciência leve. Portanto, o bom é apenas sentido como bom e é defendido como bom, de maneira ampla, sem pensar. Isso acontece ainda que, para um observador de fora desse campo mental, o que é chamado “bom possa parecer bastante estranho e bastante perigoso para as vidas de muitas pessoas em vez de protegê-las. O mesmo se aplica, naturalmente, ao mau, ressalvando que sentimos o mau mais intensamente que o bom uma vez que ele está ligado ao nosso medo de perdermos nossa inclusão e, com ela, até nosso direito de viver.

Assim, a distinção entre bom e mau está a serviço à sobrevivência dentro de nosso próprio grupo. Ela está a serviço da sobrevivência dos indivíduos em seus grupos.

A Consciência Coletiva

Sob a consciência que sentimos, há ainda uma outra em funcionamento. É uma consciência poderosa, seus efeitos são incomparavelmente mais fortes que os da consciência pessoal. Ainda assim, ela permanece largamente inconsciente. Por que isso acontece? Porque para nossos sentimentos a consciência pessoal tem precedência sobre a coletiva. A consciência coletiva é uma consciência grupal. Ao mesmo tempo em que a consciência pessoal é sentida pelo indivíduo e está a serviço da inclusão do indivíduo e de sua sobrevivência, a consciência coletiva vê a família como um todo e o grupo como um todo.

Ela está a serviço da sobrevivência de todo o grupo, mesmo que indivíduos sejam sacrificados por ele. Ela está a serviço da integridade do grupo e das ordens que melhor assegurarem a sobrevivência do grupo. Quando os interesses de um indivíduo estiverem em oposição aos do grupo, a consciência pessoal também estará em oposição à consciência coletiva.

O Instinto

Há nesse caso o risco de vermos essa consciência como uma pessoa, como se ela tivesse objetivos pessoais e os estivesse buscando deliberadamente.

Essa consciência funciona como um impulso, um impulso coletivo que quer apenas uma coisa: manter e restaurar a integridade. Assim, ela escolhe a forma cegamente. c. Pertencer após a morte. Sabemos que pessoas são influenciadas e dirigidas por essa consciência ao vermos se elas representam, ou não, membros excluídos da família. Nesse caso, temos que estar cientes de que ninguém perde a inclusão ao morrer.

Isso significa que essa consciência trata os membros mortos de uma família da mesma forma que os vivos. Ninguém é separado da família devido a sua morte. A família engloba seus mortos e seus vivos da mesma forma. Essa consciência quer realmente reintegrar até mesmo os membros mortos da família se estes tiverem sido excluídos, sim, principalmente esses. Isso significa que ao morrer uma pessoa perde a vida atual, mas não deixa de pertencer.

A Integridade

A consciência coletiva está a serviço de que ordens e como ela garante a manutenção dessa ordem? A primeira ordem a serviço da qual esta consciência se encontra afirma: todos os membros do grupo têm o mesmo direito de pertencer. Quando um membro é excluído por qualquer que seja a razão, mais tarde outro membro terá que representar o membro excluído. Ao ser comparada com a consciência pessoal, a consciência coletiva se mostra imoral ou amoral. Isso significa que ela não faz distinção entre bom e mau nem entre culpado e não culpado.

Por outro lado, ela protege todos os membros da mesma forma. Ela deseja proteger a inclusão deles ou restaura-la, se esta tiver sido negada. O que acontece se tiver sido negado esse direito a um membro de uma família? Ele é trazido de volta por essa consciência. Assim, um outro membro terá que representar o excluído na família sem ter consciência disso. Como acontece essa volta? Outro membro da família o representa e assume o destino do excluído.

Ele pensa e age como o membro excluído, tem sentimentos semelhantes, vive de modo semelhante e até morre de modo semelhante. Dessa forma, esse membro da família que está a serviço do excluído representa os direitos dele. Ele fica, de certa forma, em poder da pessoa excluída mas sem perder seu próprio Self. Quando a pessoa excluída recebe de volta seu lugar na família, o membro da família que o representava fica livre de ter que representa-lo novamente. Não é que a pessoa excluída queira ser representada dessa forma, embora isso possa acontecer ocasionalmente, quando a pessoa excluída tem sentimentos ruins para com alguém da família.

É principalmente porque essa consciência deseja e ocasiona essa representação, com o conseqüente emaranhamento. Ela quer restaurar a integridade do grupo.

Só o Amor Soluciona

Desejo agora interromper a enumeração para dizer algo sobre a forma como os excluídos podem ser trazidos de volta. Só o amor pode fazê-lo. Que amor? O amor consciente. Ele é consciente quando nos voltamos para a outra pessoa como ela é. Ele é também sentido como pesar pela perda dessa pessoa. Ele é especialmente sentido como a dor do que podemos ter causado a essa pessoa.

Com esse amor, podemos também sentir se ele toca a outra pessoa, se ele nos reconcilia com ela, se ele permite que elas descansem, se elas podem assumir seus próprios lugares novamente e permanecer neles. Então, a consciência coletiva encontra a paz também. Então, vemos que essa consciência coletiva está a serviço do amor, a serviço do mesmo amor por todos que pertencem a essa família.

Quem Pertence?

Este é realmente o momento de enumerar quem pertence à família, quem é incluído e dirigido por uma consciência coletiva comum. Começarei com os mais próximos. Entre os membros de uma família que estão sob o domínio dessa consciência encontram-se:

1. Os filhos, isto é, nós e nossos filhos. Entre os filhos, também os natimortos ou abortados intencionalmente e freqüentemente os abortados espontaneamente. Com relação a estes, pensa-se com freqüência que possam ser simplesmente excluídos. E, naturalmente, também os filhos mantidos em segredo e que foram doados. Para a consciência coletiva, todos eles pertencem plenamente e são lembrados e compensados, sem levar em consideração justificativas ou desejos.

2. No nível acima dos filhos, os pais e seus irmãos de sangue. E os irmãos que listei acima, ao falar dos filhos. Também se encontram sob essa consciência ex-parceiros dos pais. Se eles forem rejeitados e excluídos, serão representados por um dos filhos até que sejam lembrados com amor e trazidos de volta.

Quem Mais Pertence à Família?

Continuarei agora a enumerar quem pertence a nossa família, quem é tomado e protegido pela mesma consciência.
3. No nível acima, os pais e avós pertencem, mas sem seus irmãos, exceto se tiverem tido um destino especial. E os ex-parceiros dos avós também pertencem.
4. Também um ou outro bisavô pertence, mas isso é raro. Até aqui, enumerei principalmente os parentes naturais e os ex-parceiros dos pais e avós.

5. Além desses, pertencem também à nossa família aqueles cuja morte ou destino trouxe alguma vantagem para nossa família. Por exemplo, uma grande herança. Também aqueles a cujas custas a vida e a saúde de nossa família tiverem obtido vantagem.

6. Com relação a isso, também pertencem à nossa família os que foram vítima de atos violentos perpetrados por membros de nossa família, acima de tudo os que tiverem sido assassinados por membros de nossa família. A família deverá olhar para todos esses também, com amor, pesar e dor.

7. E mais uma coisa que pode ser um desafio para alguns. Quando membros de nossa família tiverem sido vítimas de crimes, principalmente se tiverem perdido a vida, os assassinos também pertencem a nossa família. Se forem excluídos ou rejeitados, mais tarde serão representados por membros de nossa família, pressionados da consciência coletiva.

Talvez eu possa ressaltar aqui que os assassinos são atraídos por suas vítimas da mesma forma que as vítimas são atraídas pelos assassinos. Ambos só se sentem completos quando se tiverem encontrado e unido novamente. A consciência coletiva não faz distinção entre um e outro.

O Equilíbrio

Antes de continuar, quero dizer algo sobre o equilíbrio entre essas duas consciências. A necessidade de equilíbrio entre tomar e dar e entre ganho e perda é também um movimento da consciência. A consciência pessoal que sentimos como consciência leve ou pesada, e como inocência ou culpa, cuida do equilíbrio com sentimentos semelhantes, isto é, também com o sentimento de inocência ou culpa e com o sentimento de consciência leve ou pesada. Mas nosso conceito de inocência e culpa é diferente.

A culpa é sentida como uma obrigação, quando eu tiver recebido ou tomado algo sem retribuir com algo de igual valor. A inocência é sentida como liberação dessa obrigação. Este sentimento de inocência e liberdade é o que sentimos ao tomarmos e retribuirmos de modo que dar e receber estejam em equilíbrio.

Podemos acrescentar aqui que podemos atingir o equilíbrio também de outra forma. Em vez de retribuir com algo de mesmo valor, o que em alguns casos não podemos fazer, por exemplo, com nossos pais, podemos passar adiante algo de mesmo valor, por exemplo, para nossos filhos.

A Penitência

Nós restabelecemos o equilíbrio também com o sofrimento. Este também é um movimento da consciência. Quando tivermos causado sofrimento a alguém, também queremos sofrer, como forma de contrabalançar, e depois de sentirmos dor, podemos ter a consciência leve novamente.

Esse tipo de equilíbrio chamamos de penitência. No entanto, temos que observar que essa necessidade de fazer penitência se refere apenas ao próprio indivíduo, uma vez que a penitência não pode realmente dar nada ao outro e restabelecer o equilíbrio. Ainda assim, com esse tipo de sofrimento o outro pode não se sentir mais tão só. Esse tipo de equilíbrio não tem relação ou tem pouca relação com o amor. Ele é mais instintivo e cego.

A Vingança

Também sentimos necessidade de equilíbrio quando alguém nos causou dano. Então, nós também queremos causar dano ao outro. Nesse caso, a necessidade de equilíbrio se transforma em necessidade de vingança.

Mas a vingança só equilibra por um momento, uma vez que ela ocasiona mais necessidade de vingança em todos os envolvidos e, no fim, só causa dano a todos.

A Cura

Para a consciência coletiva, há também o movimento de equilíbrio, embora grandemente oculto de nossa consciência. Os que têm que representar uma pessoa excluída não sabem que estão servindo ao equilíbrio. O equilíbrio, no caso, é o movimento do todo maior, que equilibra de forma bem impessoal, uma vez que todos os que servem ao equilíbrio são inocentes no sentido da consciência pessoal. Essa forma de equilíbrio pode ser comparada a um processo de cura.

Aqui também algo que foi ferido está sendo restaurado sob a influência de forças superiores. A consciência coletiva quer trazer de volta algo que foi perdido e, dessa forma, restaurar a ordem do todo e curá-lo.

 

A Ordem de Prioridade

Eu volto à ordem da consciência coletiva. Direi algo sobre a segunda ordem, a qual a consciência coletiva serve e que tenta restaurar o que foi violado. A ordem diz que todos no grupo podem e devem tomar aquele lugar que está de acordo com o seu nível de pertencimento. Isso significa que aqueles que vieram antes, têm precedência sobre os que vieram depois. Portanto, pais têm precedência sobre as crianças, e a primeira criança sobre a segunda. Cada um tem o seu lugar apropriado.

Com o tempo cada um se move para cima, de acordo com a ordem, até que eles estabeleçam sua própria família, e aí, junto com o seu parceiro, tomem o seu primeiro lugar. Aqui, uma outra ordem de prioridade se assegura, que é a ordem de prioridade entre as famílias, por exemplo, entre a família de origem e a nova família, estabelecida. Aqui a nova família tem precedência sobre a antiga.

Essa ordem também se aplica quando um dos pais, durante o seu casamento, começa uma nova relação com outro parceiro, e um filho nasce. Com isso uma nova família se estabelece, que tem precedência sobre a antiga.

A Violação da Ordem da Prioridade e Suas Consequências

A ordem de prioridade é violada quando alguém, que se uniu depois, quer assumir um posto mais alto do que lhe é apropriado. Essa violação da ordem de prioridade é o que chamamos de orgulho que vem antes da queda.

As violações mais freqüentes são as observadas com crianças. Com certeza quando querem estar acima dos pais, quando sentem que são melhores que seus pais e agem assim. Essa é uma violação da ordem de prioridade sem amor.

Acima de tudo, essa ordem de preferência é violada quando a criança quer alguma coisa dos pais. Por exemplo, quando fica doente ou quer morrer no lugar dos pais. Aqui, a ordem de prioridade está sendo violada sem amor. Mas esse amor não protege a criança das conseqüências de sua transgressão.

A tragédia disso é que a criança faz isso com uma consciência boa. Isso quer dizer que sob a influencia de uma consciência pessoal e através da transgressão, a criança se sente particularmente inocente e grande. E também se sente com um sentido especial de pertencer por causa disso. Aqui as duas consciências se opõem uma à outra. A ordem de prioridade, onde a consciência coletiva impõe e protege é violada em harmonia com a consciência pessoal. Neste sentido, violar é consciente. A consciência pessoal está, portanto, empurrando alguém para violar essa ordem e para as conseqüências dela.

Quais são as conseqüências dessa violação? A primeira conseqüência é o fracasso. Aquele que quer estar acima dos seus pais, seja com ou sem amor irá fracassar. Isso não somente se aplica à família, mas também a outros grupos assim como organizações.

Muitas organizações fracassam por causa dos conflitos internos onde uma pessoa de nível mais baixo ou um departamento de nível mais baixo quer estar acima daquele que já estava lá, e, portanto, acima dele.

A conseqüência da violação da ordem de prioridade é a morte. O herói trágico quis “colocar” sobre suas costas algo que pertencia aos seus superiores. Ele não somente falha mas, morre. Vemos algo similar com crianças que carregam alguma coisa por seus pais. Eles estão dizendo: “Em vez de você, eu”. O que exatamente isso quer dizer? No final, quer dizer: “Eu morro em seu lugar”.

A ordem de prioridade é uma ordem da paz. Está à serviço da paz dentro da família e dentro de um grupo. No final de tudo está à serviço do amor e da vida.

A Abrangência (da Autoridade da Consciência Coletiva)

Até onde a consciência coletiva consegue voltar para trás? Somente os ‘mortos” que conhecemos são os que nos pertencem? Ou essa consciência quer trazer de volta os excluídos até das primeiras gerações? Poderia até ser nós mesmos , como éramos, numa vida anterior? Talvez esteja a serviço de um movimento cósmico daquilo que nada que é pode ser perdido? Nós prejudicamos essa ordem de prioridade através das nossas crenças no progresso como se fossemos melhor que os nossos antepassados? Como se fossemos superiores?

Que efeito tem em nós, se nos colocarmos nas nossas posições apropriadas no todo, isto é, humildemente em último lugar? Quando tomamos todos os que foram excluídos, por quaisquer razões, e aqueles que tiveram que morrer antes do seu tempo, quando nós os tomamos conosco no nosso tempo presente, com tudo aquilo que perderam, então não ficamos completos com eles?

A Consciência Espiritual A que a consciência espiritual reage? Responde a um movimento do espírito, aquele espírito, que impulsiona o movimento de tudo que se move e que o mantém em movimento de uma maneira criativa. Tudo está sujeito a esse movimento, quer queiramos ou não, quer aceitemos ou resistamos.

A questão é se nós nos percebemos em harmonia com esse movimento, se nós nos submetemos e permanecemos em harmonia com ele se nos submetemos a ele consciente. Isso quer dizer que nós nos movimentamos até onde pensamos, sentimos e agimos como nos percebemos movidos, guiados e levados. O que acontece quando nos percebemos em harmonia com esse movimento?

O que acontece para nós quando nós tentamos sair desse movimento, talvez porque suas exigências parecem muito pesadas e isso pode nos assustar? Aqui nós experimentamos alguma coisa com a consciência espiritual que podemos comparar com a consciência pessoal. Quando nós nos experimentamos em harmonia com os movimentos do espírito, nós nos sentimos bem. Antes de tudo nos sentimos calmos e sem problemas. Sabemos os próximos passos e temos a força para segui-los. Isso é, assim dizemos, uma consciência espiritual boa. Com a consciência pessoal, aqui, também, nós sabemos imediatamente se estamos conectados.

Só que esse conhecimento aqui é espiritual. A boa consciência é a sabedoria da entrega a um movimento espiritual. Qual é a essência desse movimento espiritual? É um movimento do espírito para tudo que é. É uno com o espírito que dá a mesma atenção amorosa a tudo que é. Como então, novamente análogo ao sentimento de culpa na consciência pessoal, experimentamos uma consciência espiritual pesada? Nos sentimos inquietos como um bloqueio espiritual.

Não sabemos mais o nosso caminho , não sabemos o que podemos fazer e nos sentimos sem força. Quando é que definitivamente ficamos com uma consciência espiritual pesada? Quando nos desviamos do amor do espírito. Quando, por exemplo, nós excluímos alguém da nossa atenção amorosa e da nossa vontade. Nesse momento nós perdemos a harmonia do movimento do espírito e somos jogados de volta para nós mesmos e então temos uma consciência má.

Mas assim como a consciência pessoal, a consciência má aqui também está a serviço da boa consciência. Através de seus efeitos, nos guia de volta à harmonia com os movimentos do espírito até que nos tornemos calmos novamente e uno novamente com sua atenção bondosa e amor por todos como assim é.

As Diferentes Consciências e as Constelações Familiares

Quando alguém quer entender e resolver um problema pessoal com a ajuda das constelações familiares, ou um problema de relacionamentos com um parceiro, ou com uma criança na família, nós percebemos, imediatamente, qual é a consciência que está envolvida em ter produzido e mantido o problema e, a partir daí, o que esse problema exigirá do indivíduo e da família para que venha uma solução.

E nisso nós precisamos ver uma interconexão das consciências que estão atuando pois elas operam a serviço de nossos relacionamentos. Elas se constroem e se complementam para que possamos ver um problema e sua solução e relação às várias consciências e no final a todas elas.

Por exemplo, se alguém pede ajuda, nós podemos entender imediatamente quais as consciências que tiveram sua parte no problema e de que maneira e quais as resoluções que elas podem oferecer. Ou, de outra maneira, quando um terapeuta tem um problema com um cliente ele pode se perguntar que consciências, nele mesmo, estão envolvidas no problema e o que oferecem a ele em termos de resolução.

A Consciência Espiritual

Aqui eu olho as constelações familiares – do final da sua trajetória até onde elas têm viajado dentro da perspectiva da consciência espiritual. Olhando para trás, nós podemos claramente entender a importância das duas consciências. Nós também percebemos onde elas chegam em suas limitações. A consciência espiritual nos guia além desses limites.

A Distinção das Consciências

Qual é a principal diferença entre essas consciências diferentes e o que coloca suas limitações? É a abrangência do amor. A consciência pessoal serve a nossa conexão a um grupo limitado. Ela exclui outros que não pertencem a esse grupo.

Não somente conecta, mas separa. Não somente ama, mas também rejeita. A consciência coletiva vai além da consciência pessoal porque ama também aqueles dentro da família e de grupos similares que foram rejeitados e excluídos de suas próprias famílias e grupos. A consciência coletiva quer trazer de volta os excluídos para que eles possam pertencer novamente. Portanto, seu amor vai além. Mas a consciência coletiva não está tão preocupada com o bem estar do indivíduo, caso contrário não poderia forçar uma pessoa inocente- que não teve parte na exclusão a representar o excluído, mesmo que isso seja um grande peso para ele.

Aqui, fica claro, que a consciência não é pessoal, mas coletiva, que é a que está interessada na completude e na ordem dentro de um grupo. Os movimentos do espírito, por contraste, estão igualmente preocupados com tudo. Aquele que estiver em harmonia com os movimentos do espírito estará preocupado com tudo igualmente com benevolência e amor, qualquer que seja o destino.

Esse amor não conhece os limites. Ele ultrapassa as distinções do melhor e pior, do bom e ruim. Portanto, transcende os limites da consciência pessoal e da consciência coletiva. Igualmente se volta para o indivíduo e para todos na família e para outros grupos que a ele pertence. A consciência espiritual observa isso com amor. Volta para nós quando nos desviamos dela.

As Constelações Familiares Espirituais

O que isso quer dizer nas constelações? Como esse amor se mostra nas constelações familiares? Antes de tudo, eu gostaria de dizer que os movimentos do espírito se revelam de forma impressionante.

É possível experimenta-los e vê-los através dos representantes e também naqueles que observam esses movimentos. Isso quer dizer que, o movimento do espírito, em primeiro lugar é percebido pelos representantes e então, através dos representantes, também por aqueles que observam esses movimentos e por aqueles que talvez até já sejam levados por eles.

Portanto, o caminho de procedimento nas constelações familiares espirituais é diferente da constelação familiar. Aqui uma família não é mais colocada no sentido de que alguém escolhe os representantes para os membros de sua família, através de um grupo, e então os coloca em posição e conexão com os outros. Aqui, somente uma pessoa é colocada, por exemplo, o cliente ou o representante para ele e pode ser uma outra pessoa, por exemplo, o seu parceiro. Mas isso sem colocá-lo, no sentido normal, em relação a essa outra pessoa.

Essa pessoa é simplesmente colocada, por exemplo, oposta com distância da outra. Não há instruções ou intenções. O cliente ou o representante do cliente e qualquer outra pessoa adicional simplesmente são colocados. Então, de repente, eles são levados por um movimento, sem que possam direcionar esse movimento. Esse movimento vem de fora, mesmo que pareça vir de dentro.

Isso quer dizer que a pessoa experimenta estar conectada com um movimento que inicia um movimento através deles. Mas isso só acontece se eles realmente se mantém conectados sem intenções próprias, ou medo do que possa se mostrar. Assim que as nossas intenções vem à tona, por exemplo, a intenção de ajudar, ou o medo do que pode vir à luz e para onde vai, a conexão com os movimentos do espírito são perdidas. Então também a conexão dos espectadores se perde. Eles ficam inquietos. Depois de um tempo fica claro através dos movimentos dos representantes se outra pessoa necessita ser colocada. Por exemplo, se alguém está olhando para o chão, isso quer dizer que está olhando para uma pessoa morta.

Então outra pessoa é escolhida e solicitada a deitar no chão em frente ao representante. Se o representante estiver olhando intensamente para uma direção então alguém é colocado no lugar que ele está olhando. Esses movimentos são bem vagarosos. Se alguém se mover rapidamente ele está se movimentando através de sua intenção e não está conectado com os movimentos do espírito. Não é mais seguro confiar nele e necessita ser substituído por um outro representante. Importante é que o líder da constelação segure suas interpretações e pontos de vista. Ele também se entrega para os movimentos do espírito.

Isso quer dizer que ele somente age quando ele se percebe movido por eles para um próximo passo ou para dizer uma sentença, que ele mesmo diz ou que ele deixa um representante dizer. E também pelos movimentos dos representantes ele constantemente recebe indicações do que está acontecendo dentro deles e para onde esses movimentos estão indo. Quando, por exemplo, um representante se encolhe ou se move para longe do representante da pessoa morta que está na frente dele, o constelador intervém depois de um tempo para traze-lo de volta. Certamente isso não é assim com os movimentos do espírito.

O líder deixa tudo para os movimentos do espírito. Ele, o líder, assim como eles, está á serviço dos movimentos do espírito e os segue irresistivelmente interferindo de uma certa forma ou de uma maneira que diz algo. E para onde esses movimentos do espírito estão nos levando no final de tudo? Eles trazem aquilo que foi separado antes. Eles são sempre um movimento do amor. Esses movimentos não têm que ser sempre trazidos à sua completude. É suficiente se ficar claro para onde eles estão indo. Portanto, essas constelações freqüentemente ficam sem terminar e abertas.

É suficiente quando o movimento é iniciado. Podemos confiar que eles continuarão. Esses movimentos não mostram alguma coisa, por exemplo, a solução para um problema. Eles já são passos decisivos de cura, e como a cura, em geral, eles precisam do tempo deles. Eles estão iniciando um movimento de cura. As constelações familiares para estarem em harmonia com esses movimentos do espírito exigem que o líder da constelação permaneça em harmonia com eles.

Isso significa , em primeiro lugar, que ele permaneça além dos limites da distinção do bom e ruim, voltado igualmente para tudo com o mesmo amor. Ele só consegue fazer isso quando ele aprender a ser consciente do estado de harmonia espiritual dentro dele, para que ele possa perceber imediatamente quando ele se desviar desse amor. Por exemplo, quando ele quer culpar alguém por um evento, ou quando ele fica com pena de alguém por ter sofrido alguma coisa.

Desvios desse amor nós experimentamos novamente e novamente em nós mesmos. Entretanto, quando nós aprendermos a ser conscientes dos movimentos da consciência espiritual e nos submetermos a sua disciplina, logo seremos trazidos para a harmonia com seu movimento de amor por tudo assim como é.

A Consciência Pessoal

Os limites mais estreitos contra o amor vêm da consciência pessoal. Isso porque a nossa distinção entre o direito de pertencer e a perda de pertencer vem da aprovação dessa consciência. Está claro que essa distinção tem importância para a sobrevivência e dentro de certos limites não pode ser substituída por nada.

Essa consciência coloca limites acima de tudo nas crianças. Para as crianças é uma questão de sobrevivência se submeter aos meios e comportamento que é exigido por essa consciência. Isso inclui a suspeita daqueles que seguem uma consciência pessoal diferente porque essas pessoas são parte de um outro grupo. E isso vai até como rejeição contra eles. Essa consciência , como uma consciência boa, faz com que a sobrevivência seja possível e segura por um lado, mas pelo outro a torna perigosa quando leva a conflitos com outros grupos e a confrontos.

A consciência pessoal também necessita equilíbrio. Essa necessidade é um movimento da consciência. Nós temos uma boa consciência quando devolvemos àqueles que nos tem dado alguma coisa de igual valor. Então há um equilíbrio entre o dar e receber. Essa mesma boa consciência nós podemos alcançar de, forma diferente, em situações onde nós não podemos devolver alguma coisa de igual valor. Aqui nós transmitimos alguma coisa de valor igual aos outros. De acordo, nós temos uma consciência ruim quando tomamos sem dar algo em troca, ou quando nós exigimos aquilo que não é apropriado. Também nesse sentido, a consciência pessoal tem uma tarefa essencial à serviço de nossas relações, sim, essa necessidade pelo equilíbrio faz isso possível.

E essa necessidade nos serve para a sobrevivência – ainda que somente dentro de certos limites. A consciência pessoal serve a vida e à sobrevivência no seu papel para o equilíbrio e também no seu papel de conectar-nos com a nossa família. Porém, por outro lado, assim que um certo limite foi transpassado, serve o oposto. Pode levar à morte. Relacionando com conexões é esse aspecto da consciência pessoal que exige separação de outros grupos, que lidera para uma conflito severo ou até guerra.

Relacionado à necessidade de equilíbrio, é a extensão da necessidade de equilíbrio para o equilíbrio de mútua dor e ferida tudo à vingança mortal como uma vendetta sangruenta. A necessidade de punição também tem uma direção similar. Punição para o sofrimento e ferida que causamos aos outros e agora nos impomos sofrimento e restrições a nós mesmos. Nesse contexto, temos também há a punição feita no lugar de alguém. Por exemplo, quando uma criança se pune por seus pais, mas também quando uma mãe ou um pai espera que o filho se puna no seu lugar.

Por exemplo, quando a criança fica doente ou morre, como vemos em constelações familiares. Entretanto, isso é um processo inconsciente de ambos os lados, porque aqui a consciência coletiva está a serviço. Mas é sempre sobre um tipo de equilíbrio que se opõe à vida, a fere e até a sacrifica com a boa consciência e com o sentimento de inocência. O que temos que ter nos importar nas constelações familiares para que permaneçamos dentro daqueles limites da consciência pessoal que serve à vida? Temos que ter deixado para trás a distinção entre o bom e o ruim.

Se permanecermos dentro do feitiço da consciência pessoal em constelações familiares- por exemplo, se rejeitamos outras pessoas, junto com o cliente- então estamos servindo num sentido limitado. Então estamos servindo da mesma maneira que a consciência pessoal- de um lado à vida, por outro à morte.

A Consciência Coletiva

O que nós precisamos observar nas constelações familiares em relação à consciência coletiva? Primeiro que não excluamos ninguém da nossa família, ou da família dos nossos clientes, que procuremos pelos excluídos em ambas as famílias e que olhemos para eles com amor e com carinho.

Nós só podemos fazer isso se nós deixarmos para trás a diferença entre o bom e mau e se nós olharmos também para as crianças não nascidas, mesmo que não seja fácil. Isso precisa de coragem e clareza. Depois, honrarmos a ordem de prioridade. Isso significa, primeiramente, perceber que através da nossa ajuda, temporariamente, nos tornamos membros da família do cliente. Mas nos unimos à família como o último membro, e , portanto, nosso lugar é o último lugar.

O que acontece quando o facilitador se comporta como se ele tivesse o primeiro lugar, mesmo antes ou acima dos pais do cliente? Ele falha. O cliente também falha quando ele não observa a ordem de prioridade e talvez é até apoiado pelo facilitador. Por exemplo, quando o cliente tomou algo dos pais para si próprio, que não era apropriado para a ordem de prioridade. Então, às vezes, dentro dele ele diz para os seus pais: “ Eu, no seu lugar”. Para o facilitador, não respeitar a ordem de prioridade, pode ser perigoso. Por exemplo, quando ele toma para si próprio aquilo que é do cliente.

Então ele se coloca acima do cliente, como ele se coloca, talvez, acima dos seus pais. Mas quando o facilitador tem a presunção de achar que ele poderia mudar o destino do cliente ou proteger o cliente desse destino. Somente dentro dos limites da ordem de preferência pode o facilitador permanecer em sua força, e o cliente é capaz de encontrar o seu caminho para uma solução apropriada, aqui no senso duplo da palavra. Em relação à consciência coletiva, em constelações familiares, nós somente precisamos permanecer dentro dos nossos limites, pois esses são abertos e abrangentes.

Conclusão

A consciência espiritual nos guia além dos limites da consciência pessoal, através do seu amor por tudo. Também nos protege da consciência coletiva pois se volta para todos igualmente. Ela honra a ordem de prioridade de uma maneira especial, porque fluindo com os movimentos do espírito nós nos vemos de igual valor e nível com todos, da mesma maneira com os pés no chão como todos. Em constelações familiares espirituais nós sempre permanecemos em amor , amor completo. Somente as constelações familiares espirituais estão sempre e em qualquer lugar à serviço da vida-amor e paz.

As Constelações Familiares Espirituais

O que aprendi com Bert Hellinger no Brasil e México

Bert-Hellinger-01A primeira vez que eu vi o Bert pessoalmente foi no México em 2002, num seminário sobre casais.

Do Brasil foram umas 6 pessoas e estávamos iniciando esse trabalho por aqui. Ainda não era tão difundido, não havia um representante oficial do trabalho. Digo, oficial.

Mas o que mais me impressionou foi a procissão que fizemos, após o seminário. O Bert estava carregando uma tocha- (veja na foto). Caminhar com ele, à noite, em Oaxaca, em silêncio, foi realmente emocionante!

Durante o seminário (Bert gostava de dar seminários), havia centenas de pessoas, e ele se mostrava – ao mesmo tempo que rígido, duro – também flexível, bom e generoso.

E, como tantas qualidades opostas conseguiam estar numa pessoa só? Sim, já o vi ríspido (para não dizer “grosso”) com várias pessoas. Mas hoje entendo que aquilo que nós, latinos, chamávamos de grossura era apenas uma objetividade cortante. Aquela que não estamos acostumados. “Isso é isso. Aquilo é aquilo.”

Bert é um homem especial. De uma luminosidade e compaixão fora do comum. Sua alma é transparente. Não há como não perceber isso. Mas não tentem imitá-lo! Ninguém conseguirá. São poucas as pessoas que nascem assim. Ele é uma delas. Ter dedicado toda sua vida aos outros e deixado para trás sua vida pessoal é próprio de quem tem um coração enorme. Amar a humanidade. Cumpriu sua missão graciosamente.

Bert-Hellinger-02Porém, ele vive nos surpreendendo. Mesmo tendo se dedicado aos outros, chegou uma hora, aos 80 anos, que Bert partiu para a sua realização pessoal, afetiva. Sem dúvida, ao ter descoberto o que faz o amor dar certo (uma de suas grandes publicações), o Universo não podia deixar de lhe dar um presente : a sua união com uma mulher de carne e osso para viver todos os frutos do “pecado”, como ele mesmo diz.
Este, sim, é o Bert. Uma alma que aceitou e cumpriu o seu destino tanto espiritual quanto carnal de forma alegre e exuberante. Se você ainda não o viu, procure vê-lo. Ele é ainda é a estrela que nos guia, a sabedoria que vivente. E nós só lhe agradecemos.